G1

Para governador do Rio de Janeiro, nada justifica excessos e truculência das forças policiais.

13ª UPP conta com 228 policiais para atender 27 mil pessoas. Conduta policial será minuciosamente monitorada

Diante das denúncias de que policiais estariam invadindo e saqueando casas no conjunto de favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, o governador Sérgio Cabral disse nesta terça-feira (30) que “não vai tolerar abusos” e prometeu punição aos maus agentes. Ele chamou de “guerra” a situação vivida na região, que foi tomada pela polícia e Forças Armadas no domingo (28).

“Vamos continuar a recuperar todos os territórios. Quando se luta por território é guerra. Quando se conquista é a paz”, afirmou Cabral Filho, durante discurso na cerimônia de inauguração de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Zona Norte.

“Não vamos tolerar abuso de polícia. O policial que se comportar mal será expulso, mas isso é uma exceção. A maioria está lutando, dando o sangue, entrando em lugares impossíveis com coragem”, completou o governador, diante de policiais militares e de moradores da comunidade.

Policiais já em ação na nova UPP do Morro dos Macacos

O governador confirmou que que assinou um pedido de permanência das Forças Armadas para fazer patrulhamento nas favelas do Complexo do Alemão até outubro do ano que vem.

A informação havia sido dada em entrevista dada antes do meio-dia á rádio CBN, quando Cabral ainda estava à caminho da inauguração da UPP. Procurados por volta das 12h20, os ministérios da Justiça e da Defesa informaram que ainda não haviam recebido o pedido.

Na segunda-feira (29), após se reunir por mais de três horas com a presidente eleita, Dilma Rousseff, o governador havia dito que ia solicitar ao Ministério da Defesa um contingente de dois mil homens das Forças Armadas até julho de 2011, quando, segundo ele, será possível implementar uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na localidade.

O governador explicou nesta terça que o pedido foi feito até outubro para ter uma margem de segurança. Segundo Cabral disse na segunda, a permanência de militares é necessária no primeiro semestre do próximo ano porque não há, atualmente, efetivo suficiente de policiais militares para montar a UPP.

“As forças [federais] que fazem hoje o trabalho solicitado por nós fazem um trabalho de contenção. Outra coisa é o trabalho de patrulhamento. Por força do efetivo que precisamos para isso, nós teremos nesse processo de transição, até a chegada da nossa UPP, no final do primeiro semestre, um efetivo do Ministério da Defesa. Em torno de dois mil homens”, afirmou.

Cabral elogiou a parceria entre forças policiais estaduais e federais na ocupação da Vila Cruzeiro e do Morro do Alemão. Segundo ele, a atuação da Polícia Federal e das Forças Armadas deverá ser solicitada em outras operações de combate ao tráfico no estado.

“Esse modelo que estamos implementando é um modelo que existe há dois anos. É um modelo que as Unidades de Polícia Pacificadora se mantém. Agora, com essa novidade nesse momento complexo do [Morro do] Alemão e Vila Cruzeiro, para outras comunidades que sejam igualmente complexas, o que a gente percebe, o que sente, é essa parceria, essa camaradagem, essa aliança para o bem.”

UPP do Morro dos Macacos tem ‘sabor especial’, diz comandante

O coronel da Polícia Militar, Robson Rodrigues, comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) disse, na manhã desta terça-feira (30), que a inauguração da UPP no Morro dos Macacos “tem sabor especial”.

Essa é a 13ª UPP em uma favela carioca e foi nessa comunidade de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, que dois policiais morreram após o helicóptero em que estavam ter sido derrubado durante uma troca de tiros, em outubro de 2009.

“Essa UPP nos remete ao momento em que ficamos abatidos emocionalmente. Essa tem um sabor mais especial. Demonstra que temos planejamento”, disse o coronel Robson Rodrigues, acrescentando que a 14ª UPP será instalada na região do Lins de Vasconcelos, como Morro São João e Morro Quieto.

Segundo ele, a unidade comandada pelo capitão Felipe Barreto terá 228 policiais e vai beneficiar 27 mil moradores da região, sendo 12 mil das comunidades: Morro dos Macacos, Pau da Bandeira e Parque Vila Isabel.

Ele garantiu que o discurso entre o poder público e os moradores será facilitado daqui para frente. “Os direitos chegarão, com serviços como água e luz”, afirmou.

Para a auxiliar de serviços gerais Maria de Lourdes Vicença Lavrador de 57 anos, a presença permanente da polícia no morro vai trazer sossego. “É maravilhoso. Só em poder dormir de noite é uma benção. Não sentir o cheiro de maconha e ver gente armada é uma benção. Passei muita noite de joelho, no chão de casa, rezando para acabar essa bagunça aqui”, afirmou ela, que mora no Morro dos Macacos há 16 anos.

Já o funcionário público João Alberto Matos de 58 anos, quer ver o trabalho de perto antes de elogiá-lo. “Vamos confiar, vamos ver o que isso vai trazer de bom. Faltava tudo aqui, principalmente obras, educação e lazer”, afirmou ele.

O secretário de segurança José Mariano Beltrame e o governador Sérgio Cabral são esperados para cerimônia de inauguração da UPP, que reúne em uma das ruas de acesso ao morro, policiais militares e moradores. No alto de algumas lajes, policias armados com fuzil fazem a segurança no local.

“Base de tiro” é demolida pelo Bope na Vila Cruzeiro

Policiais preparam demoliçao do muro no Conjunto de Favelas do Alemão

Um muro que era usado por traficantes como “base de tiro” será demolido na tarde desta terça-feira (30) na Rua Paulo Muller, numa região conhecida como Quatro Bicas, na Vila Cruzeiro, Zona Norte do Rio. Da construção, repleta de buracos, os criminosos observavam a movimentação da polícia e apoiavam o cano das armas para efetuar os disparos.

Segundo um morador, o local onde fica o muro foi sede de um clube de futebol, chamado Pé do Gancho e Caco Velho Futebol Clube, inaugurado em 3/9/1989. O morador, que era goleiro do time, conta que há uns 5 anos o local foi tomado por traficantes e o time teve que se mudar para a Praça São Lucas, também na Penha. O muro será demolido com dinamite por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope).