do Último Segundo

“Barbie”, que foi preso pela polícia mexicana nesta segunda-feira (30), usava a web  para intimidar rivais.

Foto divulgada pelo polícia mexicana mostra o traficante Édgar Valdez Villarreal, conhecido como Barbie, durante sua prisão em Cuernavaca

O traficante Edgar Valdés Villareal, preso na segunda-feira no México, é um dos responsáveis pela onda de violência nos últimos anos entre grupos que disputam o controle da venda de drogas na região do Golfo do México.

Conhecido como “A Barbie”, por causa de seu cabelo loiro, pele clara e olhos azuis, Villareal liderou um grupo conhecido por postar na internet vídeos mostrando execuções de membros de cartéis rivais, uma forma de intimidação que acabou se tornando comum na guerra do tráfico no país.

Há quatro anos, o traficante publicou um anúncio em jornais de Monterrey, no nordeste do México, para pedir ao governo do país que aplicasse o “estado de direito” no país. “Não pretendo me fazer de pomba da paz nem tampouco limpar minha imagem”, dizia o texto, no qual também se queixava: “Fui acossado e perseguido pelos Zetas (cartel rival)”.

A propaganda parecia uma contradição para quem havia anos era um dos criminosos mais procurados no México e nos Estados Unidos e um dos responsáveis, segundo as autoridades, pela espiral de violência que causou a morte, desde então, de mais de 28 mil pessoas.

Mas Villareal, nascido no Texas, nos Estados Unidos, e radicado no México desde os 15 anos de idade, apresentava-se como um próspero homem de negócios.

Reunião

“Barbie” disputava o controle do cartel fundado por seu ex-chefe, Arturo Beltrán Leyva, o “Barba”, morto em dezembro do ano passado. Em 2003, já recrutado para o cartel de Beltrán Leyva, ele enfrentou um processo judicial nos Estados Unidos por tráfico de droga.

Ao lado de Beltrán Leyva, fundador e líder do cartel de mesmo nome, Villareal participou da reunião com líderes do cartel de Sinaloa, em Cuernavaca, ao sul da capital mexicana, em que ambos os grupos decidiram se juntar para disputar o controle do mercado de drogas com o Cartel do Golfo.

Esse foi o início de uma escalada de violência que parece não ter fim. “Barbie” criou um grupo de sicários (matadores de aluguel) conhecidos como Los Pelones, que tinham treinamento militar e cuja função era atacar outros cartéis.

Uma das primeiras ações do grupo liderado por Villareal foi um vídeo publicado na internet mostrando o interrogatório de quatro pessoas supostamente vinculadas ao cartel Los Zetas. Ao final da gravação, um dos interrogados é assassinado diante da câmera. Depois desse vídeo houve outros, que, segundo os analistas, abriram uma nova frente de batalha entre os carteis mexicanos através da internet.

Casas noturnas

O traficante era cliente e proprietário de casas noturnas no balneário de Acapulco. Ela era aficionado por roupas caras e carros de luxo. Um de seus capangas, Jorge Balderas, é acusado pelas autoridades de estar envolvido no ataque ao jogador paraguaio Salvador Cabañas, que atua no América do México, baleado na cabeça em uma casa noturna na Cidade do México.

Recentemente, Villareal foi acusado de ligação com um cemitério clandestino numa vala em Taxco, no Estado de Guerrero, onde foram descobertos 55 cadáveres.

Desde dezembro, quando “Barba” morreu em uma ação da Marinha, “Barbie” mantinha uma intensa disputa para manter o controle do cartel dos irmãos Beltrán Leyva. Essa disputa deixou dezenas de pessoas mortas nos Estados de Morelos, Guerreiro e México.

O secretário-técnico do Gabinete de Segurança Nacional, Alejandro Poiré, disse que a captura de Villareal é “um golpe de alto impacto contra o crime organizado” no país.