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	<title>Comentários sobre: &#8220;Tive a sorte de ter um anjo&#8221;, diz atriz Cissa Guimarães, quebrando o silêncio após a morte de seu filho Rafael</title>
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		<title>Por: Roberio Correia</title>
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		<dc:creator>Roberio Correia</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 17:30:34 +0000</pubDate>
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		<description>Matéria extraida do Diário da Manhã de 27/07/2010

O erro de Mara

A gari Mara Luciane Macedo, de 37 anos, morreu depois de ser atropelada por um &quot;veículo branco que trafegava em alta velocidade&quot;, no centro de Carazinho, dia 25 de março de 2010. O automóvel e seu motorista - que, aliás, fugiu sem prestar socorro à vítima – não foram identificados. Provavelmente  nunca serão. E isso porque Mara cometeu um erro primário e imperdoável aqui, neste país que chamamos Brasil: Mara não era filha nem esposa de ninguém importante. Mara não tinha dinheiro, não tinha influencia, não tinha bons contatos. Mara não era gente que interessa.
Ao contrário do musico Rafael Mascarenhas, de 18 anos, filho da atriz Global Cissa Guimarães, que na última segunda-feira, dia 19, também foi atropelado e também acabou morrendo sem receber socorro do motorista. Tal e qual Mara. Porem, muito diferente do caso carazinhense, o motorista responsável pelo atropelamento de Rafael já foi encontrado e indiciado, e certamente pagará pelo crime que cometeu. Inclusive já descobriram, numa rapidez impressionante, que o pai deste prezado motorista levou o carro, todo amassado devido ao acidente, a um mecânico, pedindo urgência no conserto.
Medida esta também utilizada, muito possivelmente, pelo atropelador de Mara. Mas agora, quatro meses depois do acontecido, as chances de identificá-lo são e continuam sendo praticamente nenhuma.
Acho que a morte de Mara não será explicada, o responsável não será punido e acidentes como este, onde não há culpados, apenas vitimas, continuarão acontecendo em Carazinho e no resto do país, livremente. Injustamente. 
Talvez devêssemos, todos nós, darmos um jeito de nos tornarmos, também pessoas importantes. Precisamos, urgentemente, inventar uma maneira de virarmos gente influente, poderosa, financeiramente admirável para a sociedade e, naturalmente, para as autoridades.
Para o caso de sermos atropelados, e morrermos por pura e total irresponsabilidade alheia, pelo menos vermos punidos aqueles que, insensatamente, dirigem seus carros acreditando serem os reis selvagens do asfalto, sem respeitar nada, sem respeitar ninguém, acobertados por papais endinheirados que acham mais importante encobrir o filhinho da mamãe do que fazê-lo responsabilizar-se pelo crime que praticou.
Não cometamos o mesmo erro de Mara: ser pobre, trabalhadora, gente simples. 
Pois caso contrário, deixaremos nossos filhos, nossos pais e nossos amigos com aquele gosto ruim e amargo de injustiça e revolta, que não passa nem diminui nunca.
Perguntem para “Dona Landa”, mãe de Mara, ou para Ana Paula, sua filha de 15 anos, como elas se sentem hoje, sabendo que ninguém se importa com a morte de Mara como poderiam se importar, caso Mara fosse filha do mesmo papai que encobertou seu filhinho da mamãe, que guiava um ‘veículo branco que trafegava em alta velocidade’ em Carazinho no dia 25 de março de 2010.
Jana Lauxen, escritora.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Matéria extraida do Diário da Manhã de 27/07/2010</p>
<p>O erro de Mara</p>
<p>A gari Mara Luciane Macedo, de 37 anos, morreu depois de ser atropelada por um &#8220;veículo branco que trafegava em alta velocidade&#8221;, no centro de Carazinho, dia 25 de março de 2010. O automóvel e seu motorista &#8211; que, aliás, fugiu sem prestar socorro à vítima – não foram identificados. Provavelmente  nunca serão. E isso porque Mara cometeu um erro primário e imperdoável aqui, neste país que chamamos Brasil: Mara não era filha nem esposa de ninguém importante. Mara não tinha dinheiro, não tinha influencia, não tinha bons contatos. Mara não era gente que interessa.<br />
Ao contrário do musico Rafael Mascarenhas, de 18 anos, filho da atriz Global Cissa Guimarães, que na última segunda-feira, dia 19, também foi atropelado e também acabou morrendo sem receber socorro do motorista. Tal e qual Mara. Porem, muito diferente do caso carazinhense, o motorista responsável pelo atropelamento de Rafael já foi encontrado e indiciado, e certamente pagará pelo crime que cometeu. Inclusive já descobriram, numa rapidez impressionante, que o pai deste prezado motorista levou o carro, todo amassado devido ao acidente, a um mecânico, pedindo urgência no conserto.<br />
Medida esta também utilizada, muito possivelmente, pelo atropelador de Mara. Mas agora, quatro meses depois do acontecido, as chances de identificá-lo são e continuam sendo praticamente nenhuma.<br />
Acho que a morte de Mara não será explicada, o responsável não será punido e acidentes como este, onde não há culpados, apenas vitimas, continuarão acontecendo em Carazinho e no resto do país, livremente. Injustamente.<br />
Talvez devêssemos, todos nós, darmos um jeito de nos tornarmos, também pessoas importantes. Precisamos, urgentemente, inventar uma maneira de virarmos gente influente, poderosa, financeiramente admirável para a sociedade e, naturalmente, para as autoridades.<br />
Para o caso de sermos atropelados, e morrermos por pura e total irresponsabilidade alheia, pelo menos vermos punidos aqueles que, insensatamente, dirigem seus carros acreditando serem os reis selvagens do asfalto, sem respeitar nada, sem respeitar ninguém, acobertados por papais endinheirados que acham mais importante encobrir o filhinho da mamãe do que fazê-lo responsabilizar-se pelo crime que praticou.<br />
Não cometamos o mesmo erro de Mara: ser pobre, trabalhadora, gente simples.<br />
Pois caso contrário, deixaremos nossos filhos, nossos pais e nossos amigos com aquele gosto ruim e amargo de injustiça e revolta, que não passa nem diminui nunca.<br />
Perguntem para “Dona Landa”, mãe de Mara, ou para Ana Paula, sua filha de 15 anos, como elas se sentem hoje, sabendo que ninguém se importa com a morte de Mara como poderiam se importar, caso Mara fosse filha do mesmo papai que encobertou seu filhinho da mamãe, que guiava um ‘veículo branco que trafegava em alta velocidade’ em Carazinho no dia 25 de março de 2010.<br />
Jana Lauxen, escritora.</p>
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